Um grupo de pesquisadores da Universidade de Nova York desenvolveu um sistema que faz com que as plantas liguem para os seus donos pedindo água. (Imaginem se elas resolverem ligar pras amigas!) É engraçado, mas é verdade e funciona assim: um sensor de umidade é colocado no fundo do vaso da planta e conectado a um chip que avalia a umidade local. Se estiver baixa ela liga pro dono, via Torpedo de Voz, dizendo que precisa de água. E mais: as plantas têm sotaque de origem! Se for uma tulipa de Amsterdan, ela vai te ligar com sotaque dutch, por exemplo. A comunicação é feita através de um hub, ligado à internet, e cada planta tem um código que ativa o telefonema pro dono. Depois de ter o pedido antendido, elas ligam novamente, agradecendo. Não é fofo? Veja mais aqui, no site de Kati London, uma das autoras do projeto.
Imagine que você está trabalhando e de repente seu telefone toca e é a Grazi Massafera, contando o que anda fazendo. Essa é a ação da L’oreal na internet, criada pela Agência Interativa. Você acessa o hotsite da campanha, vê um vídeo e deixa o seu nome e telefone pra receber o contato da Grazi. Alguns minutos depois (e com uma inteligência bacana de interface - a Grazi só se mexe depois que você antende o telefone) seu telefone toca e uma mensagem gravada da bela moça conta as novidades de uma linha de tintura de cabelo. Claro que isso virou um tipo de “trote”, vi camaradinhas com listas de telefones de amigos pra ligar e tentando mais de duas vezes o mesmo número, mas na verdade essa é uma ação por Torpedo de Voz.
A Johnson & Johnson também apostou no mobile marketing para promover a linha Reach One, com a diferença de o menino propaganda ser o Dr. Reach, menos famoso que a estrela da L’oreal, e com um vídeo mais simples. Além disso, a pessoa que recebeu a ligacão e ouviu até o final, pode enviar o viral pra três amigos.
Parece que essa mania vai pegar e virar o “spam do celular”. Pra divulgar “Jogo de Amor em Las Vegas” as pessoas recebiam uma ligação do Asthon Kutcher, o belo protagonista, depois de interagir com o hotsite do filme. Essa ação tinha dois torpedos: o Kutcher podia te dar um conselho ou passar um trote para um amigo indicado por você. Clique aqui pra conhecer melhor esse modelo.
Enquanto o Flamengo fazia uma orgia de gols, eu e meu brilhante amigo de 43 - um homem inteligente, divertido, decente e que como eu detesta futebol - nos sentamos em frente ao meu bar favorito para deliberar os mais recentes acontecimentos. Ele escolhe as palavras como se fossem flores num jardim e me convence de que vivemos o fim da era da inocência, em que já não se pode mais acreditar em palavras e em pessoas. Esses pensamentos ficaram comigo depois que nos despedimos. Bom amigo. Acho que acrescentaria apenas o seguinte: “Se você perdeu alguma coisa, não perca a lição”.
A Revista Connect trouxe, na edição de junho, um especial sobre a telefonia móvel na Suécia. Eu gostaria de colocar o link direto pra matéria, mas por algum motivo desconhecido, não consegui acessar o url http://www.revistaconnect.com.br/, quando googlei “revista connect” achei um blog que foi atualizado pela última vez em abril.
Dessa forma,vou sintetizar o artigo que começa dizendo que a Suécia é o sexto país no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e o segundo no Networked Readiness Index, que avalia o nível relativo de desenvolvimento dos países no uso de TIC. Lá tem mais celular do que gente. Nove milhões de suecos usam o celular para ligações, mas o forte são os serviços. É possível comprar bilhete de metrô por SMS (e sai mais barato), receber informações de tráfego e transportes por SMS, achar um túmulo no cemitério por um guia no celular. Esses serviços fazem parte do mCity, criado para a prefeitura de Estocolmo, que oferece ainda um guia GPS por comando de voz para cegos, e sistemas de ensino da língua com testes via celular.
As inovações não cessam. Na década de 50, foi criado um distrito, distante 10km do centro de Estocolmo, onde se instalaram a Ericsson, a IBM e milhares de empresas de TI. Esse lugar é o centro de criações de softwares mobile para atender demandas internacionais. O editor da revista, Renato Rodrigues, contou alguns cases, que vou listar:
- rfm (www.r.fr) rádio de música eletrônica só pra celular (DubTools)
- MyQuran é um serviço que permite acessar rezas islâmicas recitadas em áudio (Dub Tools)
- Friend finder localiza os amigos que estão por perto via antena de celular (esse eu achei demais, imagina vc andando e seu celular apitando - “fulano está por perto”) (Mobile Arts)
- SMS por voz que é um recado que não passa pela caixa postal (Mobile Arts)
- SMS turbinado: desvia SMS para caixa de e-mail, bloqueia remetentes, responde SMS para contatos de MSN, por exemplo(Mobile Arts)
Tem muito mais. Tem serviços para redes e operadoras e, é óbvio, as empresas suecas estão de olho nos 120 milhões de usuários brasileiros.
Minha religião não permite ficar usando conteúdo alheio, portanto quem tiver interesse em conhecer as novidades suecas desenvolvidas para o mundo móvel, pode escrever para celia@motorpressbrasil.com.br e pedir o nº 31/junho 2008 ou ir até a banca mais próxima e tentar a sorte.
Finalmente foi ao ar o Mundo Oi, o novo portal de entretenimento e informação da operadora de telefonia que mais cresce no Brasil, a Oi. Aceitei o convite do Roberto Cassano pra me juntar à equipe da Selulloid como PMO em agosto de 2007 e nem podia contar pra minha mãe sobre o projeto (!). Em fevereiro, a Selulloid assumiu toda a parte de conteúdo do portal e montou um “timáço” de profissionais antenados nos movimentos mais importantes da internet e eu permaneci como head de conteúdo e publicação. Ele está no ar, com imagens lindas e eu fico pensando se, agora que ele nasceu e começa a ter vida própria, eu também poderei retomar minha própria vida, sem ficar me preocupando tanto com ele. Será que eu vou conseguir?
Hoje vai rolar a primeira Descolagem no NAVE, Núcleo Avançado em Educação, que foi inaugurado essa semana na Tijuca. O projeto nasceu de uma parceria entre a OI e o Governo do Estado do Rio de Janeiro. As Descolagens são eventos quinzenais que acontecerão no Salão Múltiplo da Usina de Expressão, “um espaço de desconstrução onde há o link com o mundo fora da escola”, como definiu o Fábio Seixas. O tema da Descolagem de abertura é A cultura digital e o impacto da tecnologia no mundo moderno. O encontro vai ser transmitido ao vivo a partir das 14h30 pelo site do NAVE. A curador do NAVe é o amigo Beto Largman e no blog dele tem muito mais informações.
Gostaria de convidar meus estimados leitores do blackblog para o lançamento do livro Internet: o Encontro de 2 Mundos, no dia 23 de junho, 19h, na Livraria Armazén Digital, que fica no Rio Design Center Leblon.
O livro é um lançamento do iMasters, com 56 crônicas sobre a internet brasileira. Eu sou autora de dois textos, “Técnicas de Webwriting - Não é necessário reinventar a roda” e “Internet de bolso = mundo portátil”. Quem quiser, pode comprar sem sair de casa no site da editora.
Os pesquisadores Virpi Oksman e Pirjo Rautiainen, da Universidade de Tampere, na Finlândia, reuniram dados de utilização de celular entre crianças e adolescentes finlandeses. Eles dividiram o grupo em cinco categorias, de acordo com a relação que os usuários estabelecem com o telefone móvel.
• 7 anos: têm uma relação indiferente com o aparelho. A parte mais interessante são os jogos, mas os brinquedos podem ser mais importantes. Na maioria das vezes é utilizado para controle familiar.
• 7 a 10 anos: algumas crianças já começam a se interessar pelo aparelho, apesar de a maioria o enxergar como um game. Podem esquecer de levar o telefone quando vão à casa de um amigo, “mas jamais esqueceriam o jogo do Pokémon”.
• 10 a 12 anos: a percepção de telefone muda totalmente e começa a “mobile fever”, que aumenta conforme o número de atividades e o grupo de amigos. O aparelho torna-se importante na comunicação entre os pares. Continuam jogando e começam a utilizar as short messages, enviando SMS para todo um grupo - “falando” com muitos ao mesmo tempo e com apenas um clique.
• 13 a 15 anos: a relação começa a ser expressiva e afetiva. A personalização e estética ganham importância. Usam maciçamente o SMS, que é mais barato que uma ligação.
• 16 a 18 anos: o uso das ferramentas offline diminui e eles passam a apreciar outros recursos que os ajudam nas tarefas cotidianas (despertador, agenda, calendário, calculadora). Podem passar horas “digitando mensagens” numa tarde, enviando SMS para amigos e grupos, mas usam o telefone com mais regularidade.
Não parece o jovem brasileiro? Desconsiderando a proporção de usuários pré-pagos e as limitações/controle que a falta de crédito pode trazer, a utilização finlandesa é bem parecida com a do jovem brasileiro.
A maioria das pesquisas focadas na utilização dos celulares pelos jovens está concentrada na Europa. Apesar da dificuldade em apurar as informações de tantas operadoras de telefonia, os pesquisadores insistem nos jovens europeus por um motivo: eles foram os mais velozes do mundo na difusão larga da tecnologia de comunicação sem fios.
Como responsável pela difusão extraordinária do uso do celular entre a geração de15 até 35 anos, a pesquisa aponta uma combinação de fatores. Foi comprovado que os jovens são mais abertos para as novas tecnologias, que têm mais habilidade de apropriação e de utilização para suas necessidades e, finalmente, que o celular é um sinal de auto-reconhecimento entre os pares do mesmo grupo.
Uma pesquisa de Manuel Castells entrevistou pessoas em 25 países da União Européia e constatou que entre dez pessoas, mais de 9 são usuários de serviços móveis. Entre 15-25 anos, o número de utilização é de 77,2%, e entre 25-34 anos, é de 75,8%. Eles constituem a proporção mais ampla de usuários, mas também são responsáveis por criar novos usos para os aparelhos, não previstos pelos designers de tecnologia.
Os usos variam muito e começam muito cedo. Segundo Virpi Oksman e Pirjo Rautiainen, pesquisadores da Universidade de Tampere, ingresso e manutenção das relações sociais, “especialmente no relacionamento com o sexo oposto” é o que leva os jovens a usar o celular, em seguida aparece o controle familiar. Parece que as mamães do primeiro mundo também gostam de trackear os seus teenagers.
Apesar da variação, há dois usos principais para toda a faixa de idade. Disparado na frente é o envio de short messages, o SMS. Os jovens europeus adoram ficar trocando mensagens em vez de ligar. Tanto que alguns os pacotes das operadoras oferecem minutos limitados e sms ilimitados. Em segundo lugar é o mp3 player. Eles usam o celular como rádio portátil, inclusive audível nas vias e transportes públicos. Isso é uma baita falta de educação, no Rio de Janeiro ou na Suíça, e acho que não demora muito para sancionarem leis contra a poluição sonora. Se todo mundo pode, eu também vou colocar o Iron pra fazer showzinho nas barcas. Vai chover reclamação.
Foi necessário andar meio mundo pra encontrar o capitão, mas agora eu e Jack estamos eternizados nessa foto. Engraçada foi a reação da minha secretária: “Nossa, a senhora tirou foto com aquele artista”.
Já faz algum tempo que os amantes, para demonstrar devoção e amor eternos, marcavam as iniciais em troncos robustos de árvores públicas. As letras, em sua maioria, eram circundadas por corações atravessados pela seta balsâmica de Eros, o deus grego popularizado cupido, aquele que dá uma mãozinha pro destino e encontra alma gêmea em meio à multidão.
Enfim, os tempos mudaram, mas a idéia de gravar pra sempre no tronco da árvore permaneceu e agora veio pra web. Essa é a proposta do site www.arvoredoamor.com.br. Você vai até lá, escolhe um coração e o site garante que vai ficar publicado “para sempre”. Claro que o espaço deve ser comprado e há modelinhos de coração para todos os gostos (até mesmo os partidos) e os preços variam. Mas a mensagem e a foto vão ficar por lá e você não pode alterar nem fotos, nem mensagem: uma vez gravada, para sempre na árvore do amor.
É uma boa sugestão de presente para esse Dia dos Namorados, ao menos não vai murchar daqui a três dias, não vai acabar em três meses, nem puir daqui a um ano.
Foi publicado hoje o blog que vai dar seqüência ao livro O encontro entre dois mundos, publicado pelo iMasters. O objetivo é que os autores das crônicas continuem publicando (com muita qualidade) notícias e idéias sobre a internet, tendências e perspectivas. Mal foi lançado e já está fervilhando, vai lá conferir.
Está crescendo a participação da internet móvel no Brasil. Tanto que ultrapassamos os índices de utilização de países desenvolvidos como os Estados Unidos. Segundo a IDC, a participação da internet móvel é de 9% junto aos usuários de banda larga. Esse número reflete a precariedade da banda fixa, que em muitas localidades, ainda não está disponível. Com pacotes cada vez mais acessíveis, as operadoras conseguem oferecer banda móvel, mesmo que mais lenta, para uma área de abrangência maior do que a fixa. Esses dados não incluem os usuários que acessam a internet pelo telefone celular, que representam 6% dos usuários brasileiros. Com o lançamento de aparelhos como iPhone, BlackBarry e Xbox, o acesso será ainda mais móvel: teremos na palma da mão todo o conteúdo da internet. Hoje já é fácil, qualquer celular, palm ou computador com wi-fi só precisa ter uma banda aberta pra se conectar e navegar. É engraçado, mas em breve veremos muita gente procurando por sinal, usando aquela camisetinha detectora de wi-fi e parando subitamente para navegar no meio da rua.
Por falar nisso, a Info vai realizar um seminário dia 16 (segunda-feira) sobre internet móvel. Veja detalhes no site do evento.
Com uma rede de mais de 2 mil lojas espalhadas pelo mundo, a The Body Shop é famosa por desenvolver um trabalho que prioriza a natureza e a exploração “ecológica”. As embalagens são vendedoras, bonitas, práticas. As prateleiras são harmoniosamente coloridas e os aromas dos cremes, sabonetes, loções e hidratantes cria um ambiente encantadoramente propício às compras. Todos os produtos podem ser testados e você pode ser maquilada por um profissional que vai te ensinar como fazer e apontar os melhores tons para sua pele de acordo com a moda vigente da estação. As novidades do momento são os cremes com brilhinhos que fazem a pele ficar cintilante. Os produtos são maravilhosos, a marca é ótima, mas a preocupação com a questão ecológica reúne tantas adeptas quanto às fascinadas por beleza. Confira mais no site da empresa: http://www.thebodyshop.com/bodyshop/
Uma das coisas mais legais que a Suíça tem é a SBB, Swiss Federal Railways, a companhia de trens que corta todo o país. São mais de 300 mil funcionários e cada um controla seu horário por um timetable: as pessoas definem em maio como querem trabalhar em junho e qual a porcentagem de horas que vão trabalhar. Flexível e inteligente. Bom pra funcionários, bom pra empresa. Os trens são confortáveis com poltronas grandes e ainda sobra bastante espaço pra circular. Quase todos têm um restaurante bem no meio dos vagões compostos. Há um quadro em cada banhof (estação), como este da foto, indicando quais são as composições da primeira classe, onde está o bistrô e quais são as composições da segunda classe. O horário de partida e chegada é rigoroso, pois um atraso interfere na saída de outra linha, o que pode ocasionar um efeito cascata.
Há relógios enormes espalhados pelas plataformas e é um estilo diferente, que claro, virou objeto de desejo e sinônimo de pontualidade. É possível comprar um modelo em qualquer banhof e em lojas de souvenir. De parede, de bolso, de pulso, despertador: eles têm o ponteiro dos segundos vermelho com uma bolinha maior na ponta.
O que me fascinou foi o silêncio do trem. Você pode estar cruzando a estrada, numa curva, a 160 km/h, que não há qualquer ruído externo. Você percebe que o trem saiu da estação porque ele se mexe um pouco, sobretudo se você estiver no segundo andar, mas a mecânica de suspensão é perfeita, o corpo não chacoalha.
A estação de Zurique é tão grande que
abriga um campo de vôlei de praia para campeonatos,
entre outros eventos.
Além de todas essas maravilhas, a SBB oferece serviços que não são do trem, mas podem estar relacionados, entre eles: aluguel de carro, vagas nos estacionamentos da banhof, aluguel de bicicletas. Eu aluguei uma bicicleta dessas para um dia todo. Peguei uma “praiana” de alumínio, leve como uma pluma, com transmissão de marcha na manopla. Andei uns 80 quilômetros, sem sentir.
Tudo parece perceito, mas há um caso em que o trem pára: suicídio. A Suíça é o segundo país em número de suicídios da Europa e os infelizes escolhem justamente a linha do trem (que pode não funcionar porque o maquinista pode conseguir uma super-frenagem), ou se lançam da estação mesmo, traumatizando o operador e suspendendo a atividade da linha até que tudo esteja normalizado.
Durante a minha estada, eles estavam se preparando para receber gente de todos os países que iriam para a UEFA. Eles simplesmente querem ser classificados como o país que melhor organizou o evento e os melhores no quesito acolhida. Nem precisam se esmerar tanto.
“Smell is a potent wizard that transports us across thousands of miles and all the years we have lived. The odors of fruits waft me to my southern home, to my childhood frolics in the peach orchard. Other odors, instantaneous and fleeting, cause my heart to dilate joyously or contract with remembered grief. Even as I think of smells, my nose is full of scents that start awake sweet memories of summers gone and ripening fields far away.”
Você já percebeu que uma das coisas mais gostosas de se comprar um carro zero é o cheirinho dele? Você já conseguiu descobrir que cheirinho ele tem? Parece que a maioria tem cheiro de tinta de lataria mesmo, mas se você comprar um EcoSport, por exemplo, poderá sentir um aroma personalizado em alguns pontos do carro. Em Paris, você pode comprar um Renault e escolher o “cheiro do carro zero quilômetro”. Os designers olfativos da montadora desenvolveram seis tipos diferentes, quatro tradicionais, um marítimo e um que remete às florestas de carvalho encontradas na Europa.
A Biomist é uma empresa especializada na criação de odores e aromatização de ambientes. Segundo Rubens Valentim, analista de marketing da Biomist, a primeira pergunta dos clientes é “fazendo esse trabalho, eu vou vender mais?”. Todo empresário pensa assim, mas a questão aqui é envolvimento com a marca, é experiência da marca, é memória da marca. Um estudo da Universidade Rockefeller, em Nova York, descobriu que somos capazes de recordar 35% dos odores que sentimos, 5% do que vemos, e apenas 2% do que ouvimos. O consumidor pode não comprar mais, mas ele fica mais confortável em lugares aromatizados e passa mais tempo neles. É o que diz a pesquisa do neurologista Alna Hirsch, de Chicago. Hirsch aromatizou uma área de caça-níqueis do hotel Hilton de Las Vegas. Depois de checar o faturamento anterior e posterior à aromatização, concluiu que a área aromatizada havia tido um crescimento de público de 45% em relação às áreas que não haviam sido aromatizadas.
Quando vamos ao cinema, sentimos cheiro de pipoca, certo? Errado. Os cinemas são odorizados com o cheiro da manteiga que faz a pipoca. Os dutos de ar-condicionado são facilitadores dessa comunicação e acho que estamos próximos do cinema com cheiro. Imagina? Sentir o cheiro da comida que a atriz está preparando ou o cheiro do sexo de moçinhas e bandidos? O cheiro do sangue espirrando na tela? O cheiro da chuva? O cheiro da estrada empoeirada? O odor das cidades do século XVIII? Éca.
A Singapore Airlines criou e patenteou seu próprio aroma, o Stefan Floridian Waters. Além de ser usado pelas aeromoças, o perfume está nas toalhas quentes oferecidas antes das refeições e pode ser sentido na cabine dos aviões. Martin Lindstrom diz, em Brand Sense, que esse aroma patenteado tornou-se uma representação única, exclusiva da companhia.
Um exemplo curioso é o cheiro de padaria. Não tem nada mais gostoso que cheiro de pão francês saindo do forno. Alguns supermercados do norte da Europa estão aromatizando a entrada do mercado com esse cheiro de pão, mesmo que não haja evidências de uma padaria lá dentro. Você resistiria a esse apelo emocional?
Outros exemplos de uso de aromatização:
- lojas infantis com cheiro de melão
- lojas com acessórios de verão e praia com cheiro de coco, sobretudo no inverno
- aromatização dos black lights em estações do metrô de São Paulo para lançamento de um perfume
- catálogos aromatizados de perfumarias
- a lingerie da Victoria’s Secrets
- cheiro de chocolate nos corredores de shoppings
Como diria Antonio Damasio, sentimentos e emoções são instâncias distintas e para compreendê-las precisamos olhar para elas separadamente. “Uma decisão sábia é impossível sem emoção”, ainda mais com cheiro de pão.
Quando se fala de Marketing Sensorial, pensamos em grandes empresas, que podem fazer grandes investimentos em múltiplas plataformas e construir marcas que envolvam pelo menos um terceiro sentido que não o visual e auditivo. Mas isso não está disponível apenas para os gigantes. Há muitas boas idéias circulando e cunhando marcas. Vou falar sobre as estratégias das grandes no próximo post, mas como sou bairrista, vou falar primeiro da Mais Bonita.
A Mais Bonita é um salão de beleza com uma proposta bem diferente. Uma casinha cor-de-rosa, no meio de gigantes de concreto, com um letreiro em forma de flores, já se destaca naturalmente. No portão, um segurança que também pode te ajudar como manobrista, ou pode te levar até o carro com um enorme guarda-chuvas com a marca Mais Bonita estampada. Minha primeira surpresa ao entrar foi uma vitrine de esmaltes, que separa o salão de manicures da recepção. Não tem aquela bagunça de manicure carregando suas caixinhas com aqueles esmaltes velhos e embolados. Na vitrine, eles são organizados por marca e tonalidade e, claro, há um espaço especial para os lançamentos exclusivos da estação, que muito dificilmente você encontrará na farmácia da esquina.
A decoração usa elementos românticos para criar um ambiente totalmente acolhedor e aconchegante. As cores e as estampas estão inspiradas na marca e tudo está sinalizado e demarcado. Até a bandeja de madeira que leva café, capuccino, água, mate ou um vinho do porto, parece que foi recortada com a silhueta da marca.
Além da identidade visual bem construída, o relacionamento com as clientes se faz tijolo por tijolo num desenho mágico. Você tem benefícios no seu aniversário, mas a intimidade vai além. Um dia recebi um e-mail sugerindo uma nova cor de esmalte que eu iria gostar, já que no meu histórico aquela tonalidade era recorrente. Gostei mesmo, tanto da cor, quanto da idéia de personalização.
O auge da minha admiração aconteceu no Natal do ano passado. Ganhamos um sachê como lembrança. Ele estava numa embalagem plástica e só abri o saquinho algumas semanas depois. A surpresa foi enorme. Era o cheiro da Mais Bonita. Nunca tinha percebido que o ambiente era aromatizado, e aquele pequeno sachê me fazia sentir como se estivesse lá dentro novamente, só que estava dentro do meu quarto. Claro, depois dessa tive um particular com a Viviane, proprietária, e entendi tudo: ela está se formando em marketing e tem todas essas preocupações pequenas, que fazem a maior diferença numa empresa, e que nos tornam fiéis devotas e “vendedoras” da Mais Bonita.
Sissel Tolaas é uma artista que tenta compreender as mensagens subliminares que os aromas provocam no comportamento humano. Ela iniciou suas explorações focadas exclusivamente no olfato a partir de 1990, quando a cultura pop discutia o poder secreto dos feromônios. Desde então, Tolaas percebeu que o mercado explorava apenas a propriedade dos feromônios de atrair parceiros sexuais e iniciou uma intensa pesquisa que revela que os feromônios podem comunicar diversificados tipos de informação.
Além de pesquisar tecnologias para capturar e analisar essências, das mais simples às imprevistas, Tolaas também trabalha no campo lingüístico, compondo um vocabulário com a terminologia adequada, a clara definição capaz de descrever os aromas. Como fazia o personagem Jean-Baptiste Grenouille, do filme Perfume, ela desenvolveu uma técnica para decifrar precisamente fórmulas, separando cada essência da mistura e as dosagens. Com isso, ela conseguiu por exemplo, simular antigas essências egípcias, que agora já podem ser reproduzidas.
Em 2005, ela montou a instalação FEAR of smell – the smell of FEAR na Bienal da Tirana, a maior cidade da Albânia. Tolaas coletou o cheiro do corpo de quinze homens, de diferentes idades e personalidades, no momento em que estavam com medo de alguma coisa ou alguém - um estado emocional alterando o odor. Então, ela usou a técnica de separação para samplear os odores e os reproduziu na tinta que pintou as paredes da instalação, um processo que usa o micro-encapsulamento chamado Scratch-n-Sniff. Essa tecnologia que adiciona um aroma à tinta foi usada pela primeira vez em 1965 e é a mesma que é usada na aromatização de ambientes, quando por exemplo, você anda sobre um tapete verde e sente o cheiro de grama.
Todos os visitantes foram convidados a friccionar as paredes, recendendo o odor exalado de cada homem, cruzando a experiência tátil com a olfativa.. Enquanto isso, silenciosamente, o próprio cheiro do público ficava gravado no ambiente, cada visitante iria deixar um pequeno resíduo de seu próprio odor nas paredes das instalações.
fonte: Sensorium: embodied experience,technology, and contemporary art
No início do ano passado, quando o grupo de estudos de novas sensorialidades começou suas atividades, seu nome seria Visuaudições. Fazemos parte de uma cultura que prioriza o audiovisual nas comunicações, somos impactados paulatinamente pela imagem e pelo som, e nossos sentidos são tocados por eles, promovendo novas experiências de formação de significado.
Mas o mundo da comunicação não pára de se mexer e no terceiro encontro o nome do grupo foi cunhado “Tecnovisuaudiofatátil”, por sugestão do professor Vinícius Andrade Pereira. No decorrer de nossas explorações, encontramos várias iniciativas de construção de imagem ou de marcas que trabalham num nível acima do convencional audiovisual. Idéias que convencem e conquistam não apenas os olhos e ouvidos, mas que atingem nosso paladar, nosso olfato, nosso tato. Nem todas as idéias alcançam um alto grau de envolvimento do público em todos os sentidos, mas elas estão bem acima das que apenas usam o visual e a audição.
A maioria dos assuntos tratados nessas páginas negras são pílulas dessas explorações diárias nos caminhos das sensorialidades. Esta semana, estou trabalhando o “Olfato” (vide posts abaixo) e vou falar de algumas iniciativas que empresas têm realizado e que são bem marcantes e interessantes, experiências nas artes e até mesmo as que eu já vivenciei. Detalhes que estão à margem das necessidades acadêmicas, mas que acrescem conhecimento e até diversão.
Como explicar aquele brilho que aparece no olhar, aquela fagulha que parece lampejar, de repente ou de mansinho, quando já não é possível mais negar a química que desperta o interesse por outra pessoa, tão difícil de explicar racionalmente? Num universo de tantos homens e mulheres interessantes, por que alguns são mais interessantes e outros repulsivos, o que determina nossas escolhas?
É claro que, essas escolhas estão relacionadas com nossas fantasias, nossas reedições de nosso próprio passado e jogos de projeções. Mas há um elemento sensorial que ajuda diretamente na nossa seleção: o olfato.
Considerado o sentido mais “antigo”, pois até as bactérias podem diferenciar substâncias nutritivas e nocivas através do olfato, a olfação humana possuiu 347 tipos de neurônios sensoriais no epitélio olfativo. Cada um deles detecta um tipo diferente de odor e as combinações entre esses receptores forma nosso repertório de odores. Fazendo uma comparação com o sentido da visão: a retina tem apenas três neurônios sensoriais que formam as cores que vemos.
Nada é mais memorável que o olfato. Eu me lembro que na 6ª série do vespertino da escola Hermínia, havia um rapaz que se sentava na cadeira ao lado e usava um perfume forte. Eu nunca consegui descobrir que perfume era aquele, nem me lembro mais do seu rosto ou do seu nome. Mas basta que alguém passe por mim na rua usando o mesmo perfume e eu me sinto novamente sentada naquela sala, com aquelas carteiras verdes e o chão de tábua corrida, no calor seco do verão paulista.
O olfato é nosso senso mudo, extremamente preciso e carente de vocabulário que possa explicar os odores de um carro zero-quilômetro, de uma folha mimeografada, de uma tangerina descascada. Se você fechar os olhos, continuará ouvindo, se tampar os ouvidos, continuará vendo; em todos os casos, o tato recobre toda a superfície de nosso corpo; mas não temos como isolar o olfato, ou então morremos.
É ele que nos faz sentir seguros sobre o que vamos ingerir, recebe e envia microsinais das pessoas com quem nos relacionamos e o ambiente onde estamos e é ele também que ajuda em nossas decisões sexuais. Neurocientistas descobriram recentemente que há um nervo, entre os nervos cranianos (aqueles que entram diretamente no crânio sem passar pela medula espinhal) que liga o cérebro ao nariz, grosseiramente falando. Além de estar muito próximo ao nervo olfatório e ser muito sensível, o nervo zero, como foi denominado liga o sentido do olfato ao comportamento sexual.
Trocamos mensagens inconscientes e secretas através de feromônios, que estão relacionados com a seleção de parceiros e reprodução em quase todo reino animal. A diferença entre os feromônios e as substâncias que estimulam o olfato é que os primeiros podem ser moléculas grandes e pesadas, desde que o contato seja íntimo (beijos* por exemplo), enquanto os segundos são leves e flutuam grandes trajetos até atingirem nossas narinas. Além disso, esses odores tem o seu próprio “perfume”, enquanto os feromônios são inodoros, agindo como cupidos invisíveis, atingindo diretamente a região do cérebro que controla a reprodução sexual e deixando o brilho romântico nos olhos dos apaixonados.
*Em algumas culturas na África, Sibéria e Índia a palavra “kiss” significa “smell”. Para Diane Ackerman, um beijo é realmente uma expiração prolongada entre amantes e amigos. O prazer em beijar está relacionado com o odor e a carícia da outra face, onde o odor pessoal ascende.
Em Perfume – a história de um assassino (Tom Tykwer), um aspirante a perfumista procura a essência perfeita, que confunda os homens e proporcione a todos uma experiência paz e amor. Embora filmes não tenham “cheiro”, o roteiro oferece condições para que os expectadores imaginem fartamente cada cena, cada ambiente, cada perfume de mulher. O lugar onde o protagonista nasce, o momento do parto, chega a ser nauseante. Quase dá pra sentir o fedor das cidades do século XVII e XVIII – como seria possível viver naquela lama? O narrador assim define o título do filme: “Um domínio que não deixa vestígios na história, o fugaz domínio do aroma”. Ele pode não deixar vestígios, mas não é jamais esquecido.