The secret language of a Kiss

Outubro 3rd, 2008 at 01:11am Ana Erthal

A escassez das postagens no blog tem um bom motivo: estou debruçada sobre a comunicação multimodal, estudando qualitativamente esse fenômeno contemporâneo. Já falei sobre sensorialidades auditivas, visuais, olfativas e até sobre a sinestesia. Tudo o que sei sobre o tato estou usando na pesquisa, portanto… vou manter os lábios selados a esse respeito.

Falando em lábios, na minha exploração da obra A Natural History of the Senses, encontrei no capítulo Touch, uma curta passagem sobre Kissing. Não conseguir me desviar dele e acabei reencontrando poesia e passado no texto.

Ela diz que ao beijar, nós compartilhamos a respiração, abrindo uma parte impenetrável de nosso corpo para o amante. Nos abrigamos em seqüências de beijos quentes. Bebemos da fonte do outro em sua boca. Inciando uma jornada de beijos no corpo do outro, mapeamos um novo terreno, as mãos e os lábios. É como se experimentássemos a peregrinação do toque que nos conduz ao templo de nossos desejos. “O beijo pode acontecer em qualquer lugar entre pessoas que se gostam em sinal de profundo sentimento. Há beijos selvagens, beijos famintos, beijos de língua, e há os suaves como plumas. O beijo é o máximo em volúpia, é o consumo de tempo e do espírito no labor doce do romance.”

O texto ainda relata quando se iniciou o hábito de beijar na boca e quais são os costumes beijoqueiros de determinadas culturas. “Nossos lábios são deliciosamente macios e sensíveis. Suas sensações táteis são representadas por uma grande parte do cérebro, e o que as ativa é o beijo. Nós não beijamos apenas romanticamente. Beijamos os dados antes deles rolarem, beijamos nossos dedos machucados ou dos outros, beijamos bandeiras, imagens relgiosas, fotografias. Na Idade Media, quando nem todos ainda eram letrados, os documentos exigiam uma assinatura legal que era marcada como um X. Muitos pensavam que significava um crucifixo, mas o X representava um beijo”.

Na complexa linguagem do amor, há uma palavra que só pode ser falada pelos lábios, quando eles se encontram. Um contrato silencioso, selado por um beijo.

the_kiss_gustav_klint.jpg
Essa pequena escultura reproduz a pintura de Gustav Klimt,
chamada originalmente de Der Kuss. Ela está à venda numa
galeria de arte na Rue des Ecoles, quase em frente à Sorbonne.

Entry Filed under: Sensorialidades

3 Comments Add your own

  • 1. Adilson Pereira  |  Outubro 13th, 2008 at 11:20 pm

    Gostei disso.


  • 2. Willy Cruz  |  Outubro 16th, 2008 at 2:59 am

    fala Anaaaa…..
    Na segunda linha do segundo paragrafo esta escrito:
    “Não conseguir me desviar dele e acabei reencontrando poesia e passado no texto.”
    Acho que a palavra ‘conseguir’ esta errada, nao?! Acho que o certo eh ‘consegui’ (sem o R no final) ficando:
    “Não consegui me desviar dele e acabei reencontrando poesia e passado no texto.”
    Bjs
    Willl


  • 3. Ana Erthal  |  Outubro 16th, 2008 at 7:31 am

    Tá errado mesmo, valeu Will. Obrigada! Agora vai ficar assim mesmo, pra ficar registrada a sua atenção e a minha desatenção :-D


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