Narrativas rítmicas e o alemão da Suíça
Outubro 9th, 2008 at 07:04am Ana Erthal
Explorar o mestre McLuhan tem duas vantagens: você aprende sobre o passado e o futuro do mundo e aprende sobre si mesmo. Ele me levou até Homero e revendo todo o modelo oral de aprendizagem com Havelock eu recuperei meu próprio método de aprendizagem a partir da quinta série: uma enorme lousa verde, muitas cores de giz, os livros abertos em cascata num banco alto ao lado, e muitas, muitas tardes solitárias no quarto dos fundos da nossa grande casa, repetindo em voz alta enquanto escrevia e explicava até gravar aquela massa de informações, ou até ser interrompida pela chegada do meu pai, ao cair da noite.
Durante minha passagem pela Suíça, fui aprendendo um pouquinho do alemão do dia-a-dia, como comprar tíquetes nos trens, bom dia, com licença etc. até o nome das cidades. Minha amiga Erika, doce anfitriã, me dizia que eu falava “direitinho”. Também entendi o porquê com Havelock: eu não imagino como se escreve “nexste ralte” mas, sei que significa próxima parada (do trem). Tentei aprender pela sonoridade de cada palavra e não pela sua impressão, aliás que tinha mais dificuldade em ler. Não guardo imagens visuais das palavras que aprendi, mas guardo a imagem sonora delas.
Na oitava série, minha lousa foi substituída por um enorme quadro branco, recoberto por vidro e nem minhas roupas nem o chão do quartinho sentiram mais o gosto do giz. Coisas do meu pai, que um dia foi mais tecnológico do que eu.
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1. Adilson Pereira | Outubro 25th, 2008 at 3:15 pm
E a história da memória olfativa?
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