“Going to the Feelies this evening?”
Julho 26th, 2009 at 09:59pm Ana Erthal
Na obra Brave New Word, de 1932, Aldous Huxley apresenta uma versão divertida de um cinema sensorial, conhecido como Feelies. Em oposição a Movies, como é chamado hoje em dia, o cinema do futuro de Huxley não apenas faria um objeto parecer real, mas o objeto em si seria sentido e estaria presente, ainda que sinteticamente.
Os filmes sensíveis na sociedade do ano de 2495 não tinham nenhum significado ou precisão artística, para um dos Diretores do mundo da sociedade de Brave New Word, o Feelies era seu próprio significado: “significam para a assistência uma porção de sensações agradáveis”. Os espectadores sentiam no próprio lábio o beijo trocado pelos protagonistas, sentiam inclusive cada pêlo de urso do tapete em que se desenrolava uma cena de sexo.
As produções cinematográficas tem caminhado cada vez mais na direção de experiências reais, como essas do futurista Feelies. O motivo dessa atenção é porque as mídias e o design querem cada vez mais oferecer uma experiência real para as pessoas. O que se observa é que os designers se especializaram em produzir vertigens. Quando um designer produz um banner, ou um outdoor, ele quer oferecer uma experiência visual de uma imagem verdadeira, que dê a ilusão de que pode ser tocada. No cinema a tendência é a mesma. Mesmo estando numa plataforma de duas dimensões, a qualidade gráfica da imagem é tão tecnicamente elaborada que temos a sensação de profundidade e de que podemos compartilhar aquele ambiente digital com os personagens.
As pessoas buscam o real em vários âmbitos de suas vidas, inclusive com relação a mídias e design e fazem isso usando todos os seus sentidos. Desejam o gosto real do chocolate, desejam sentir a música na pele ressoando em seu corpo, desejam o aroma verdadeiro do jasmim, desejam tocar tudo o que antes só deveria ser visto. O crescente emprego do tato nas interfaces e a difusão de touch screens nos eletrônicos de consumo (celulares, computadores, máquinas fotográficas, terminais de atendimento, jogos etc.) demonstram essa demanda pela experiência real da presença.

Como um design pode ser tão sensorial como uma visão-tátil ou uma audição-tátil a ponto de parecer real? De todos os sentidos, o tato é o único que pode oferecer a experiência real. Quando tocamos sentimos temperatura, textura, flexibilidade ou rigidez, maciez ou dureza. Sentimos prazer ou repulsa. A visão, o olfato e a audição podem nos enganar, mas quando tocamos um objeto é que conhecemos sua verdade.
Como o Feelies ainda é uma ficção científica e o tato não pode estar presente em todas as mídias ainda, o que deve ser o desafio dos designers é o aprimoramento da habilidade de um design interagir com as pessoas e de ser sentido por elas, oferecendo uma experiência de verdade, mesmo que não possa ser tocado.
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