Jornais mudam de estratégia na era do “Free”
Julho 29th, 2009 at 11:24am Ana Erthal
O novo livro do Chris Anderson , “Free” (que pode ser baixado gratuitamente em texto ou audiobook) explica como não circula nem um centavo no futuro dos negócios digitais.

Mas “se a informação é de graça, qual é o valor do conhecimento?”, esse é o mote da campanha do Estadão que deixa o leitor decidir quanto quer pagar pelo primeiro mês de assinatura do jornal, acompanhando a linha das bandas Radiohead e Coldplay.
O mercado de impressos está na linha de sucessão do mercado da música, ele precisa se reinventar rapidamente, pois é inegável que o interesse pela informação na internet é que ela está disponível gratuitamente. Um estudo realizado por Nicholas Carlton (Silicon Alley Insider), mostrou que se o New York Times distribuísse para cada assinante um Kindle, gastaria o equivalente aos custos de impressão com o jornal. Alguns jornais como Times, The Washington Post e The Boston Globe já fizeram negociações com a Amazon para que os seus assinantes possam comprar o Kindle com desconto. O assinante passa a ler via e-book e o jornal economiza na gráfica.
Uma preocupação que não se vê nos diários de maior circulação no Brasil. Assim como o Estadão, a Folha também lançou uma campanha para reverter a crise nas assinaturas. Segundo informações do IVC, Estadão e Folha caíram 16,5% e 7,1% respectivamente, nos cinco primeiros meses de 2009 em comparação com os mesmos meses de 2008. Os investimentos dos diários não se concentram em publicidade. O Estadão vai lançar novo projeto gráfico em outubro e o Grupo RBS (Zero Hora) acabou de inaugurar um novo parque gráfico, num total de investimento que poderia distribuir iPhones para todos os seus assinantes para acesso à versão mobile.
Nenhum dos grupos atribui a responsabilidade pela queda dos números de assinaturas e quedas de vendas em bancas à internet e ao mesmo tempo, nenhum deles deixa de manter sua presença na rede. Seja por meio de megaportais de informação como o do grupo Globo (G1, globoon, globo.com) ou com estratégias digitais diferenciadas como o Estadão e seu Limão… e todos eles são unânimes em manter presença no mobile e preocupam-se em criar uma nova linguagem para a dinâmica das telas miniaturizadas.
Investir em ações no offline e no online em tempos de economia do “Free” é uma realidade inescapável e é um problemão para os jornais. Parece até a Guerra do Peloponeso dos tempos contemporâneos. No entanto, se essa guerra também durar 27 anos, acredito que ao final os jornais terão perdido todos os seus assinantes…
Up the webwriters!
(Originalmente publicado na coluna de Webwriting do iMasters)
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1 Comment Add your own
1. Marcelo Ferraz | Julho 30th, 2009 at 2:23 pm
E se não bastasse isso, a miopia vai além… Muitos jornais daqui do Brasil estão adotando, de forma burra, a mesma estratégia do offline para o online.
O Globo simplesmente passou a disponibilizar seu conteúdo online só para assinantes do jornal de papel (?????). Será que eles não sabem que não é assim que funciona?
Simplesmente as pessoas vão deixar de entrar no Globoon, e passar a acessar a CNN, a BBC, o New York Times… A concorrência por conteúdos gratuitos é gigantesca!
E aí, além de perder assinantes, com um site abandonado e pouco acessado, eles vão perder quem realmente paga a conta, que é a publicidade…
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