Pierre Levy
Março 11th, 2010 at 10:31pm Ana Erthal

“Twitter é metadado para informações interessantes: eu leio o que eu filtro pelas pessoas que sigo e geralmente elas são especialistas nos tópicos abordados”. Foi assim que o nosso ilustre professor Pierre Levy contou como usa seu microblog. Suave, tranquilo, fala mansa.
Pierre Levy me impressionou pela sua consistência. Aquela consistência que eu sempre debato com meus amigos íntimos: que muitos parecem ter, mas tente abordar um assunto com profundidade por mais de meia hora e o desenvolvimento do tema se foi… Não. Levy sabe que, mesmo estando no palco, falando sobre passado, presente e futuro das mídias, há de se tomar cuidado com as analogias e com as afirmações assertivas. “Eu começo empiricamente até esgotar o assunto matematicamente”. Muita gente devia fazer como ele antes de sair falando as besteiras que fala por aí.
E esses, que por acaso, não estavam na platéia, perderam a chance de ver o professor explicando a Evolução da Esfera Midiática sob sua ótica e como os professores devem tornar pessoas “poderosas” por meio do conhecimento e mostrando o que ele chama de Ciclo do Gerenciamento Pessoal do Conhecimento. “Stay focused, avoid distraction, keep in mind the big picture”: o trabalho do professor não se restringe mais ao ambiente educacional: “uso o twitter como ferramenta de inteligência colaborativa, onde estendemos os assuntos discutidos em sala de aula”.
Aulas sem paredes. Acho que a permanência dele no Canadá deve tê-lo feito ler mais o pessoal da escola de Toronto: Arqueologia das Mídias, Aulas sem paredes, Cultura como fator de evolução midiática. Parece que eu vi isso no Havelock e no McLuhan.
Sobre o futuro Levy diz que até 2015 teremos uma Esfera Semântica formada na Mídia Digital. Que teremos uma Economia de Jogos de Informação (olha o conceito de Infotainment que temos discutido aí) e uma Sociedade de Agentes Cognitivos.
A única coisa que me desapontou é que eu gostaria que a palestra fosse em francês, mas ele falou em alto e bom inglês mesmo. Nada de Esperanto (rs).
Obrigada Beto Largman por trazer essa formidável pessoa numa manhã de março.
Entry Filed under: Conteúdo Digital
4 Comments Add your own
1. Tatiane Martins | Março 12th, 2010 at 5:28 pm
Adoei também a palestra. Sua síntese aqui está ótima. Pena que os debatedores não tinham sustância para sentar ao lado de Lévy, principalmente aquele lunático da IBM.
2. Viva | Março 12th, 2010 at 11:37 pm
Muito boa sua resenha. Que delicadeza a dele, não? Firme e suave.
3. Thiago | Março 13th, 2010 at 3:21 pm
A palestra foi muito boa mesmo. Saí de Niterói e fiz uma viagem infernal para estar ali, com Pierre Lévy, em um momento único.
Porém, pessoas que se dizem com o poder da verdade, com suas piadinhas “inteligente”, acabam estragando a festa. Senhor Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM (e isso me espanta muito), falando em superficialidade do wikipedia e no Twitter. “140 caracteres que limitam a produção do conhecimento”, disse ele, se não me engano. Perdeu a chance de ficar quieto, não passar como um idiota e ainda por cima, da platéia ter uma de suas perguntas (foram só duas dos presentes, uma pena) realizadas, e que com certeza seria melhor do que esses discurso careta dos nostálgicos medievais.
Parabéns pelo texto, disseste tudo o que ocorreu. E esperamos que outros venham ao Rio, como Henry Jenkins.
4. 3 destaques da palestra d&hellip | Março 16th, 2010 at 2:00 am
[…] outro post retratando a mesma palestra no blog da professora Ana Erthal, de quem inclusive tomei emprestado as aspas contidas aqui. Thanks!
Etiquetas: Klaus […]
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