Ofício de escrevinhador
Outubro 10th, 2007 at 01:26pm Ana Erthal
Não é nenhuma novidade o que vou contar: a internet mudou nossa forma de escrever (além de todas as outras transformações comunicacionais, sociais etc.). Escrevemos nos e-mails e nos comunicadores instantâneos como se estivéssemos falando. Tiramos os acentos, as palavras extensas, as palavras pouco usadas, simplificamos ao máximo, cortamos as palavras, substituímos consoantes e vogais por outras que representem nossa entonação vocal. Para tornar nossas mensagens reais criamos emoticons, representando nosso estado de espírito naquele momento em que escrevemos. Tudo normal até aqui e não acho que a mudança da linguagem escrita seja tão ruim assim. Devemos apenas tomar cuidado para não nos sentirmos confortáveis com isso, deixando a lindeza de nossa língua de lado, como se nosso rico vocabulário fosse velho demais para os tempos de internet.
Vou propor um exercício. Sugiro a experimentação do Raduan Nassar em Lavoura Arcaica - tentem respirar entre os capítulos - e Jorge Luis Borges em Esse Ofício do Verso, um pequeno livrinho, recém-lançado, com as transcrições das palestras que ele proferiu em 1967 em Harvard. Depois, digam-me se dá ou não vontade de viver como propunha Baudelaire: embriagado de vinho e de poesia.
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