Mobilidade, miniaturização e convergência
O território do Japão é um pouco menor que o estado do Mato Grosso do Sul. Seu arquipélago com mais de 3 mil ilhas, está localizado numa área de intensos movimentos tectônicos causando toda sorte de eventos naturais: tsunamis, vulcões, tufões, abalos sísmicos. Por esse motivo, os japoneses levam a sério questões ambientais e nada menos que 67% do território são florestas e campos. Apenas 5% correspondem à área urbana.
Com a tensão das indústrias para a ocupação urbana, os japoneses preferiram o adensamento urbano à destruição das paisagens naturais: eles importam todo tipo de matéria-prima, mas não tocam nas suas árvores.
Dessa forma, a cidade de Tóquio, por exemplo, tem a densidade demográfica de 6 mil habitantes por km², chegando a 13 mil no centro da cidade. É o metro quadrado mais caro do mundo. As moradias têm em média 63 m² e são medidas pelo número de tatames que pode conter: durante o dia o tatame adorna a sala, durante a noite vira cama.
A casa é o lugar da família. É muito raro receber visitas em casa. Com o custo de vida muito alto, as pessoas investem mais em melhores condições de educação e menos em moradia e isso interfere na sociabilidade japonesa: eles passam muito mais tempo fora do que dentro de casa. Os espaços públicos são muito utilizados e há fluxo de mão e contramão de pedestres em algumas calçadas.
Para administrar a falta de espaço, a indústria japonesa especializou-se em oferecer soluções práticas e miniaturizadas. Os varais, por exemplo, parecem o jogo de pega-varetas. Não cabem dentro de casa, mas cabem num pequeno estojo e depois de armados fora das janelas têm capacidade para lençóis, toalhas de banho e roupas.
Se não tem espaço para as pessoas, imaginem para os objetos? É por esse motivo que a indústria japonesa se esmera em desenvolver tecnologias reduzindo o tamanho os aparelhos: baratos, práticos e inovadores. Foi assim com os aparelhos transistorizados, como a TV e o rádio. As máquinas fotográficas são cada vez menores e com cada ver mais novidades. As calculadoras, aparelhos de som, os aparelhos de celular. Os objetos devem ocupar muito pouco espaço e se puder ser um aparelho de som que frita ovos é melhor. Convergência é muito importante. Um aparelho que é telefone, câmera de vídeo, câmera fotográfica, agenda, calculadora, despertador, bloco de anotações, tocador de mp3, gravador e internet, e cabe num espaço de um bolso, tem que ser mesmo um aparelho sensacional.
Esses novos aparatos estão ajudando a formar uma sociedade mais “individualizada”, que dá menos valor para o coletivo. O peso da tradição de coletividade japonesa será o próximo assunto.
Add comment Março 31st, 2008