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Insular do extremo oriente “ocidentalizado”

Por muitos e longos anos, as crianças japonesas aprenderam que eram descendentes de Amaterasu, a deusa do sol. Os japoneses descenderiam de um tronco divino e esta origem os diferenciaria do restante dos povos. Alguns autores chamam de uniqueness a característica que os japoneses cultivaram por muitos anos fechados em seus domínios.

Em 1185 a era dos Xoguns isolou mais ainda o Japão do continente e só depois de 1868, com o início da Era Meiji, é que abriu suas portas para competir novamente no mundo. Enquanto se avançava com a revolução industrial, o Japão passou a importar o “ocidente” para uma reestruturação que envolveria a cultura, a educação, a cadeia produtiva. Seu único objetivo era tornar-se moderno.

Além de enviar seus jovens para estudar no Ocidente, os japoneses contrataram consultores estrangeiros que lhes transmitissem o “como fazer”. Depois de desenvolverem as habilidades necessárias para executar as tarefas, os consultores eram descartados. Mas, mesmo com o crescimento da indústria, da técnica e da tecnologia, o Japão temia por se ocidentalizar em demasia e mantinha o discurso tradicional de inúmeros séculos: os professores deveriam ensinar as virtudes da honra e do dever ao país e ao imperador.

Os japoneses cultivavam valores morais que envolviam a família, os amigos, a comunidade, o país e o governo. Talvez por isso, o povo não fosse afeito a disputas civis. Eles acatavam com tranqüilidade as decisões de seus governantes, porque tinham “fé” neles. Uma das maiores dificuldades na era da “ocidentalização” era compreender o modelo de vida individualizado, o princípio de igualdade entre os cidadãos que estimulava as pessoas a buscarem seus próprios caminhos, independentemente dos vínculos familiares ou comunitários que possuíssem.

O jazz entrou no Japão, assim como o cinema, óperas, moda, trejeitos…mas a individualização não. Depois da era Meiji, com o início da Segunda Guerra Mundial, o espírito genuinamente japonês foi supervalorizado e certamente decisivo no processo de reconstrução do Japão vencido e destruído. O “espírito samurai” estava tão presente entre os soldados que muitos escolheram o suicido à rendição anunciada pelo imperador Hiroito.

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Kamikaze anti-ocidente: melhor a morte que a desonra

A era do milagre japonês começou em 1964, depois das Olimpíadas de Tókio (autores admitem entre 50 e 80). A grande virada tecnológica aconteceu a partir desse momento e o Japão já não era mais o mesmo de antes. O pós-guerra e a presença ocidental compulsória iniciam um processo de reciclagem cultural e educacional, introduzindo um jeito de ser e de viver mais individualizado, despindo os japoneses do rigor de morte pela pátria e do compromisso público. Todo interesse bélico foi descartado, o país tinha urgência em levantar sua economia e as universidades hastearam a bandeira da reconstrução via educação. Os investimentos na formação dos profissionais foram sementes dos frutos que o Japão high-tech colhe atualmente.

Hoje, o Nihon é uma das economias mais fortes do mundo. Está entre as potências mundiais, ultrapassando por vezes os países capitalistas tradicionais e depois de ler tudo o que eu li, tenho certeza absoluta de que o diferencial está nas pessoas. Pessoas que continuam cultivando valores de obrigação recíproca, em que o coletivo está acima do indivíduo, tornando qualquer adversidade possível de ser ultrapassada. Que lutam pelo seu espaço no mundo e usam e abusam da tecnologia que desenvolveram para o seu próprio prazer. Finalmente, pessoas que parecem mesmo descender de uma linhagem divina.

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