Crianças hiperestimuladas hipnotizadas pelo Pikachu
Que programa de TV você assistiu na sua infância? Eu nunca gostei muito de TV, mas era vidrada na Poderosa Iris, o que mais tarde tornou-se um problema em casa: pra quem gostava da super-heroína descendente de uma deusa, tolerar a Xuxa era abominável.
Os programas de auditório da Angélica, Xuxa e Eliana eram uma paleta de cores indistinguíveis, gritaria, luzes piscando, choro convulsivo na construção de mitos e eles estavam apenas acompanhando a tendência da mídia em provocar cada vez e sempre mais estímulos nervosos.
Taí o caso do Pikachu do Pokémon que não me deixa mentir: mais de 1200 crianças foram parar no hospital em 16 de dezembro de 1997 com crises convulsivas depois de um episódio frenético com o “choque do trovão” do desenho animado. Não, esse filme abaixo não tem o “choque do trovão”, mas mostra bem a velocidade frenética da animação e da trilha sonora. É “chocante” de qualquer forma.
Mas precisa de tudo isso? É assim que instruímos nossos filhos, é assim que eles recebem uma educação paralela e … que tipo de geração está se formando a partir desses desenhos que provocam tantas sensorialidades e estímulos?
Nos primórdios da TV existia um programa na Tupi chamado “Tia Gladys e seus bichinhos”. Além de não haver produção visual, também não tinha ensaio, não tinha chroma key, não tinha ponto eletrônico… Havia um teatro e uma simpática moça, a Gladys, contando uma história. Mas não era apenas isso. Além de contar, ela ilustrava as histórias que ia contando no momento da “contação”. E não eram histórias mainstream. Ela inventava as histórias e criava os personagens que tinham personalidade e quase vida próprias. Tive acesso ao documentário da Gladys produzido por Marina Pessanha e reproduzo dois trechos aqui: um em que podemos ver a desenvoltura de seus desenhos e outro em que ela conta a mágica de sua didática. Uma maneira simples e encantadora de entreter.
Quando deixou a tv, Gladys escreveu 38 livros, em três coleções: “Gladys e seus bichinhos”, “Mundo infinitamente pequeno” e “Histórias do meu jardim”.
5 comments Julho 1st, 2009