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Uma linguagem dinâmica e lamentavelmente pobre

 Originalmente postado no Blog da Vogg Branded Content

Da mesma forma como a moda, a economia, a tecnologia e a cultura, nossa linguagem é dinâmica e se altera conforme as necessidades e o comportamento humano. Cada era tem um estilo próprio de linguagem. Que não evolui, nem regride, apenas muda. Mudamos nossa forma de falar, acrescentamos mais palavras ao nosso vocabulário, ao mesmo tempo em que declinamos determinados vocábulos. O idioma inglês, por exemplo, tem mais 540 mil palavras do que no tempo de Shakespeare.

Nosso cotidiano é marcado por gírias, palavrões, americanizações e neologismos diversos: na dúvida, as pessoas criam novas palavras, novas aplicações para pronomes e novas classes verbais. O Jânio Quadros, que escreveu uma gramática em três volumes (a primeira que eu li), deve se incomodar com essas novidades em seu túmulo. Mas, isso é passado e estamos no presente hiper. Hiperconectado, hipermidiático, hipertarefas, hiperdisciplinar, hiperacelerado, hiperlinguístico. No entanto, o que vemos nesse presente é um hiper empobrecimento de nossa língua. Para nos comunicarmos com a agilidade que o mundo contemporâneo exige, nossa língua tornou-se mais coloquial e fluida. Assimilamos novos vocábulos na mesma velocidade em que esquecemos outros, por puro desuso.

Isso nos torna menos complexos como seres humanos e este é (pra usar um clichê) o X da questão. Eu estava num evento outro dia em que haviam três debatedores. Pessoas que dedicaram boa parte de seu tempo na vida pesquisando as relações humanas. Eles conversavam com sobriedade, um acervo vocabulário invejável e longos espaços de silêncio entre um pensamento e outro. Quando foi permitido à plateia interagir, houve uma reinvindicação que questionava o por quê daquele formato de apresentação para um público tão jovem. Não houve resposta, mas naquele momento ficou lavrada a incompetência dos jovens no uso da concentração, seu completo vício por estímulos simultâneos e a total abstinência de sentido crítico. Sim, somos mais simples. Temos preguiça de ler textos “difíceis”, não sabemos fazer correlações e embandeiramos as verdades absolutas de qualquer pessoa que esteja num púlpito, usando uma apresentação powerpoint e meia dúzia de palavras de efeito. Uma cultura de josoarização.

Ocorre do mesmo modo a simplificação de nossa linguagem. Eu costumo dizer no curso de Conteúdo Digital do iMasters Pro que “não é nivelar por baixo, mas acompanhar uma tendência dinâmica”. No entanto, eu acredito que isso contribui fortemente para a formação de pessoas menos críticas, com menos capacidade de análises, sem referências e incapazes de questionar.

Se você chegou até aqui, certamente é produtor de conteúdo e está fora da estatística dos preguiçosos. Saiba que a responsabilidade pela não banalização total da linguagem está em suas mãos, ou melhor, na minha e na sua. Não significa usar aquelas palavras mais complicadas que não se encontra em qualquer dicionário. Ao contrário. Devemos manter a fluidez, mas sobretudo perseverar na manutenção da inteligência.

6 comments Dezembro 4th, 2009

Peixe Grande 2009

3 comments Dezembro 3rd, 2009


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